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14/08/2008 GMT 1

Suggia... a violoncelista portuguesa

historiaseideais @ 03:13


Guilhermina Suggia [1923]

Augustus John OM, 1878-1961

Tate Gallery


The "Queen of Cellists," Guilhermina Suggia (1885-1950) was one of the first women to make a professional career of playing the cello. From obscure beginnings in Porto, Portugual, she rose to pre-eminence on the concert stage and was hailed as one of the greatest performing artists of her day. Suggia is a legendary figure in musical history legendary in the sense that, while many stories are told about her, few of the facts of her life are widely known.

Anita Mercier, The Juilliard Journal Online, Vol XVII, N. 6. March 2002


Esboço para Quadro

A minha pose explica o segredo da totalidade do retrato. Eu estava a tocar. No decorrer da quase totalidade das poses, eu estava realmente a tocar - não meramente a fingir que tocava, como faria a maioria dos artistas, mas expressando realmente a música de Bach. Toquei principalmente Bach, porque, sendo música clássica, ajustava-se à atitude exigida pelo artista.

Guilhermina Suggia, A Sonata de Sempre, Fátima Pombo

Guilhermina Suggia [1885-1950] iniciou a sua carreira internacional aos 17 anos, foi considerada uma violoncelista genial, equiparando-se aos melhores intérpretes do seu tempo, nomeadamente Pablo Casals com quem viveu entre 1906 e 1913.

Juntos tocaram em muitos concertos pelo puro amor de tocar, sem pensar em programas de concerto ou horários, em empresários, bilheteiras, audiências, críticos de música. Apenas nós e a música- lembrou Casals mais tarde.

Tocou em toda a Europa, Londres foi o centro da sua brilhante actividade musical e sua segunda pátria, mas morreu em Portugal.

“A técnica é necessária como veículo de expressão e quanto mais perfeita a técnica, mais livre fica a mente para interpretar as ideias que animaram o compositor”.



Guilhermina Suggia, “The Violoncello” in Music and Letters, nº 2, vol. I, Londres, Abril de 1920, 106

Dizem que transformou o violoncelo, um instrumento musical "masculino" numa arma de sedução feminina.

When Suggia was born, the cello was considered a "masculine" instrument; both the "ungainly" posture required to play it and the imposing sonority of the instrument rendered it inappropriate for proper young ladies. (Only one professional female cellist is known from the first half of the 19th century: Lisa Cristiani [or Christiani], born in Paris in 1827. Mendelssohn dedicated his Song Without Words, Op. 109, to her.) When Suggia died, largely because of her example, no one could question the place of female cellists in the musical world. Suggia was a rare revolutionary who made breaking all the rules look elegant and easy.


Anita Mercier, The Juilliard Journal Online, Vol XVII, N. 6. March 2002


Entre 22-24 de Fevereiro de 2008, a Casa da Música celebrou o legado artístico da maior violoncelista portuguesa do século XX e uma das mais aclamadas no seu tempo, na Europa.

Infelizmente, esta concertista de tão grande mérito fez muito poucas gravações. Daí que só possamos inferior da magnitude da sua arte pela leitura de uma crítica da época.



Sunday Times, 12 de Novembro de 1924:

“Ela alcança provavelmente o seu melhor nas Suites de Bach, onde nenhum conjunto de sons orquestrais ou de piano vêm escurecer a insuperável beleza do seu tom. Tem-se dito acerca dela que consegue fazer vibrar a sua audiência através da mera execução de uma vulgar escala, o que dificilmente constitui um exagero”.



Madalena Sá e Costa

Casa da Música

Madalena Moreira de Sá e Costa, discípula de Suggia e de Casals, continuadora da sua imensa escola, no Conservatório do Porto, lançou durante esse ciclo dedicado a Suggia, o livro Memórias Recordações que teve lugar na Sala 2, dia 24.02.2008 e que se encontra já em todas as livrarias.

Nele, faz alusão ao célebre violoncelo de Suggia, o Montagnana, que foi legado pela concertista ao Conservatório de Música do Porto e que a CMP retirou para o Museu Soares dos Reis.

Tal como Madalena Sá e Costa e todos os melómanos consideramos que o lugar do Montagnana é no local onde foi legado, isto é numa escola de músicos, para prazer e contemplação de todos os jovens violoncelistas!


Mas o Montagnana, um dos instrumentos musicais mais valiosos do mundo, subiu ao palco do CCB, tocado pelo virtuoso violoncelista português Bruno Borralinho, membro da prestigiada orquestra alemã Dresdner Philharmonie, e interpretou a Integral das Suites para violoncelo solo de Bach em dois recitais que tiveram lugar em 16-17 de Junho de 2008.

 

GiSouto

Fragmentos musicais, Rostropovich plays Bach, Prelude from Cello's Suite n.1

14.08.2008

Este post publicado em 08.06.2008, sob pseudónimo, foi agora reescrito para ser actualizado.

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