Suggia... a violoncelista portuguesa
Guilhermina Suggia [1923]
Tate Gallery
Anita Mercier, The Juilliard Journal Online, Vol XVII, N. 6. March 2002

A minha pose explica o segredo da totalidade do retrato. Eu estava a tocar. No decorrer da quase totalidade das poses, eu estava realmente a tocar - não meramente a fingir que tocava, como faria a maioria dos artistas, mas expressando realmente a música de Bach. Toquei principalmente Bach, porque, sendo música clássica, ajustava-se à atitude exigida pelo artista.
Guilhermina Suggia, A Sonata de Sempre, Fátima Pombo
Guilhermina Suggia [1885-1950] iniciou a sua carreira internacional aos 17 anos, foi considerada uma violoncelista genial, equiparando-se aos melhores intérpretes do seu tempo, nomeadamente Pablo Casals com quem viveu entre 1906 e 1913.
Juntos tocaram em muitos concertos “pelo puro amor de tocar, sem pensar em programas de concerto ou horários, em empresários, bilheteiras, audiências, críticos de música. Apenas nós e a música”- lembrou Casals mais tarde.
Tocou em toda a Europa, Londres foi o centro da sua brilhante actividade musical e sua segunda pátria, mas morreu em Portugal.
Dizem que transformou o violoncelo, um instrumento musical "masculino" numa arma de sedução feminina.
When Suggia was born, the cello was considered a "masculine" instrument; both the "ungainly" posture required to play it and the imposing sonority of the instrument rendered it inappropriate for proper young ladies. (Only one professional female cellist is known from the first half of the 19th century: Lisa Cristiani [or Christiani], born in Paris in 1827. Mendelssohn dedicated his Song Without Words, Op. 109, to her.) When Suggia died, largely because of her example, no one could question the place of female cellists in the musical world. Suggia was a rare revolutionary who made breaking all the rules look elegant and easy.
Anita Mercier, The Juilliard Journal Online, Vol XVII, N. 6. March 2002
Infelizmente, esta concertista de tão grande mérito fez muito poucas gravações. Daí que só possamos inferior da magnitude da sua arte pela leitura de uma crítica da época.
Sunday Times, 12 de Novembro de 1924:
“Ela alcança provavelmente o seu melhor nas Suites de Bach, onde nenhum conjunto de sons orquestrais ou de piano vêm escurecer a insuperável beleza do seu tom. Tem-se dito acerca dela que consegue fazer vibrar a sua audiência através da mera execução de uma vulgar escala, o que dificilmente constitui um exagero”.
Madalena Moreira de Sá e Costa, discípula de Suggia e de Casals, continuadora da sua imensa escola, no Conservatório do Porto, lançou durante esse ciclo dedicado a Suggia, o livro Memórias Recordações que teve lugar na Sala 2, dia 24.02.2008 e que se encontra já em todas as livrarias.
Nele, faz alusão ao célebre violoncelo de Suggia, o Montagnana, que foi legado pela concertista ao Conservatório de Música do Porto e que a CMP retirou para o Museu Soares dos Reis.
Tal como Madalena Sá e Costa e todos os melómanos consideramos que o lugar do Montagnana é no local onde foi legado, isto é numa escola de músicos, para prazer e contemplação de todos os jovens violoncelistas!
GiSouto
Fragmentos musicais, Rostropovich plays Bach, Prelude from Cello's Suite n.1
14.08.2008
Este post publicado em 08.06.2008, sob pseudónimo, foi agora reescrito para ser actualizado.

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