Ideais meus...

Imagem: Pedro Paixão
Cristina Sampaio [Público]
http://www.cristinasampaio.com
Numa outra vida, o acaso fez de mim poeta,
numa outra existência, o destino fez de mim pintor.
Incapaz de lançar fora usos esquecidos,
o mundo me conhece poeta e pintor,
sabe meu nome, identifica o meu estilo. [...]
Wang Wei, Poeta chinês [701-761]
É sem dúvida um dos poetas que mais aprecio, pela singeleza e profunda sabedoria das coisas da vida.
Hesitei um pouco. São tantos os poetas que leio e venero!
Ao longo de Ideais meus... muitos serão os poetas e prosadores que identificarei, buscando inspiração, ao deixar correr meu divagar.
O sonho e os livros vêm de minha infância. Buscava-os na biblioteca de meus Pais, hoje passeio-me pelas livrarias, embrenhada nas leituras, sem tempo nem distâncias. Muitas vezes em final de tarde, depois das aulas.
Escrevi sob pseudónimo, o ano passado, este curto texto, num blogue de minha autoria:
Dialogar contigo meu livro?!
Há lá coisa mais deliciosamente cativante e intimista!
Sonoridades inebriantes, espaços soltos, ternas vulnerabilidades, sorrisos coruscantes, maresias de poente.
Tu me ouves, dialogas em tons de confidente, acarinhas docemente meus sonhos, aromatizas meus recônditos de alma que se envolve de eternidade.
Não é só hoje, não! Tu me acompanhas, em todos os momentos de meus dias, em passos curtos ou saltos longos, num abrir e fechar de emoções.
[texto original, publicado em 17.02.2005]
Mas este espaço não é dedicado só aos meus prazeres estéticos e culturais. É sim também um espaço de partilha de conhecimentos e experiências pedagógicas em fragmentos de aprendizagens.
Aqui escreverei sobre ideais esparsos ao longo dos anos, ligados à estética da construção do conhecimento, em projectos e ferramentas criados e experienciados.
E falarei, em jeito de crónica, dos afectos que me ligam a tantos jovens, hoje facilmente vulneráveis ao imediatismo do mundo, mas amanhã, quem sabe, sorrindo ao passar, por acaso, neste espaço e se reconhecendo com nostalgia, ao relembrar as janelas abertas dos saberes que com alegria lhes proporcionei, num tempo em que as escolas e as mentalidades ainda não estavam abertas aos novos percursos.
[...]
Quando a manhã brilhar refloriremos
E a alma possuirá esse esplendor
Prometido nas formas que perdemos.
Sophia de Mello Breyner Andresen, Poesia
in http://www.mulheres-ps20.ipp.pt/SophiaMBreyner.htm#Poesia
GiSouto
[Histórias&Ideais, 04-08-2006]


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